
ICONOGRAFIA DA IMAGEM DE NOSSA SENHORA DAS LÁGRIMAS

O meu manto azul
Missionária que Me fitas, já compreendeste bem o significado das cores com as quais a ti Me apresentei? Se não compreendeste bem, desejo que bem o compreendas; por isso vou hoje te mostrar o que deves pensar, quando diante de minha imagem estiveres.
Por que Me apresentei a ti com um manto azul?
Para que, cada vez que Me fitares, quando estiveres exausta pelos trabalhos e carregada com a cruz das tribulações, te lembres do céu, recompensa infinita que te dará gozo eterno. Lembre-te o meu manto que um belo céu te espera, onde serás envolta com ele, o que te dará gozo indizível.
Ó Missionária, o meu manto azul deve dar à tua alma coragem e a teu coração alegria, porque ele te lembra que é o teu agasalho nos dias do inverno deste peregrinar!
Quando o teu coração sentir necessidade de calor e de carinho, como os que na tua infância recebias de tua mãe, envolve-te no meu manto azul e sentirás o calor de meus afagos, afagos de Mãe, a mais carinhosa de todas as mães.
Que te lembre, ó Missionária, o meu manto azul que não és órfã. Sim, Jesus deseja que suas esposas sintam os carinhos de uma mãe solícita; por isso, quando batida pelas tentações, lembra-te que o meu manto já não é meu somente, mas, sim, que uma parte dele é tua, e pertencendo-te duplamente, porque, além de Jesus Me ter dado como Mãe no alto da cruz, deu-lhe a ti um testamento, e de que forma!!
Ó Missionária, o meu manto azul seja para ti uma grande consolação. Sim, quando aos meus pés vieres e ao contemplares minha imagem, não te esqueças do que quer dizer o meu manto azul para ti; lembre-te ele sempre o céu, e nesta doce esperança recobrarás força para continuar a luta até o fim.
Desejar, amada filha, o céu é uma doce consolação que darás a Jesus, porque com isso desejas a Jesus, porque Ele é que faz a felicidade dos eleitos.
A alma foi criada para gozar desta felicidade, portanto deve-se lembrar dela e desejá-la. Errados estão os que dizem que não se deve desejar o céu. Ah! não, Missionária, o céu é a doce esperança dos que gemem e choram por amor da justiça. Ah! o céu foi quem deu a tantos Santos, que hoje se acham nele, a fortaleza para a luta.
Deus criou o céu para seus filhos, e como os filhos não hão de pensar neste céu?
O que é este céu?
Este céu é Deus mesmo, portanto desejar o céu é desejar a Deus. Vê, alma que Me ouves, como desejar o céu é salutar.
Missionária, desejando dar-te coragem neste exílio, apresentei-Me a ti revestida do céu. O céu, o meu manto, sim, meu manto azul que te lembra o céu neste exílio é apenas uma imagem, porque a realidade deste céu gozarás só depois deste peregrinar. Portanto, quando Me contemplares com o meu manto azul, lembra-te: minha Mãe do céu com o seu manto azul me diz: Avante, filha, porque o céu se aproxima.
Sim, quando fitares o meu manto, lembra-te que te digo: não temas, porque ele é teu; não temas o frio, porque o meu manto o fiz teu, ele te aquecerá e te dará energias para enfrentar os perigos e os assaltos do inimigo.
Missionária, não mais te apresentes ante a minha imagem sem a firme resolução de aproveitar das lições que ela te proporciona. Sai de junto de minha imagem confortada com a esperança de breve poderes estar ao meu lado no céu, onde serás afagada por minhas próprias mãos. Não sejas egoísta; quando trouxeres alguma pessoa aos pés de minha imagem, conta-lhe o que a ti te contei, para que todos tenham a consolação de se lembrarem do céu. Ao Me fitarem, conta-lhes que Eu sou Mãe de todos os homens e os mais pobrezinhos é que mais têm necessidade de mãe; portanto, o maior dos criminosos pode-Me chamar de sua Mãe, porque na realidade o sou. Só o chamar-me de Mãe predispõe a sua alma para o arrependimento; portanto, todos têm direito de Me chamar de Mãe; na realidade, sou Mãe de todos, porque por todos os homens Jesus expirou na cruz.
Alma Missionária, não te esqueças do significado do manto azul de tua Mãe lacrimosa. Aproveita dele e dá-o a todos os homens de boa vontade.

As fibras do meu manto azul
A confiança
Amados de meu Coração, a paz seja convosco.
Saudando-vos com a paz de Jesus, convido-vos a me escutar por amor, porque é por amor que vos falo.
Desejo hoje, amados meus, mostrar-vos de que é tecido meu manto azul, de que são feitas suas fibras! Suas fibras são feitas de confiança e esperança, porque Eu, vossa Mãe, jamais desconfiei, ainda que tudo parecesse se levantar contra mim. Meu manto é riquíssimo, por isso, chamo-vos bem-aventurados todos os que estais por ele guardados. Sim, bem-venturados todos os que têm por teto meu manto azul; tendes que ser bem-aventurados, vós que seguindo uma inspiração divina, envergais sua cor.
Amados de minha alma, desejo falar-vos hoje da confiança que sempre depositei em Deus, e foi por este motivo que o Deus eternamente bom me revestiu com este manto real e me disse: Em troca da confiança que em mim depositaste, cubro-te com este manto de realeza, e bem-venturados serão os que sob este manto se abrigarem. Pela confiança que sempre tiveste em Nós [Santíssima Trindade], te proclamamos Rainha de todos os anjos e homens e portadora dos tesouros do Paraíso.
A confiança é necessária para a salvação da alma! Quem é que não sofre e não tem contradições na vida? Ah! Não há nenhum mortal; portanto a confiança é necessária nas horas difíceis para não sucumbir e não dar ouvidos à tentação do desespero, que sempre vem nas horas de tribulação, quando a confiança falta.
Amados de meu Coração, por que vos falei [das] fibras de meu manto? Porque manto quer dizer proteção. Falo-vos assim, tão simplesmente, para que todos me possais compreender. Sim, Eu vos falo a linguagem simples do Evangelho para que, me compreendendo, possais pôr em prática meus ensinamentos, que são todos de Misericórdia.
Prossigamos na confiança, da qual é feito meu manto de realeza.
Amados meus, desejo tanto que me copieis em todas as virtudes, para ver-vos felizes. O móvel de todas as minhas ações é o desejo que tenho de ver-vos felizes e só sereis felizes quando compreenderdes a santidade. Eis o motivo de minhas exortações: a vontade imensa que tenho de ver-vos santos, usufruindo das delícias do Coração Santíssimo de vosso Esposo, que tanto deseja vossa santificação. Sim, Ele deseja ardentemente ver-vos santas, porque sendo santas sereis felizes por toda a eternidade. Este é, também, o móvel de suas obras: fazer-vos felizes. Esta felicidade, porém, só a adquirireis quando compreenderdes bem como deveis praticar a virtude, porque almas há que se debatem em vão. Por isso, eu vos convido, almas minhas, a vos agasalhardes sob meu manto, para adquirirdes a confiança necessária e assim vencerdes nas horas difíceis. Ser-vos-á custoso permanecerdes à sombra benéfica de meu manto? Ah! Não, uma só coisa é necessária; é ver-me como Mãe. Quem me tem como Mãe jamais sai da sombra benéfica de meu manto protetor.
Qual é a mãe que em tempo de frio nega agasalho a seu filho, que está tiritando? É preciso não ter coração para uma mãe se negar a isso. Se as mães da Terra são boas, como não o será à Mãe do Céu, que é Mãe de Jesus, que em seu seio trouxe o perdão, a caridade infinita?! Vede, amados filhos, que, dizendo-vos que são bem-aventurados os que me consideram como Mãe, não vos digo uma mentira, mas sim uma realidade, porque eu sendo Mãe da divina caridade, certamente por vós, que me fostes dados como filhos, hei de velar como tal, como Mãe solícita. Portanto a condição necessária é considerar-me como Mãe e já vos provei que sou vossa Mãe!
Agora vou falar-vos como adquirireis minha confiança para vossas almas. Certamente que vivendo debaixo de meu manto, levar-vos-ei pela via da confiança, pela qual Eu sempre andei no exílio. Se Eu, vossa Mãe, sempre trilhei esta via, por outro caminho não hei de levar-vos a vós, que confiados estais a meus cuidados.
A confiança é a via segura que conduz ao Coração Santíssimo de Jesus e não há outra para lá chegar. Sempre trilhei esta; e por esta é que desejo conduzir a todos os que me consideram como Mãe, e que a mim recorrem para me pedir conselho.
Vede, Eu quantas vezes tive ocasião de desanimar quando passei por esse exílio! Quantas vezes em provações tão penosas, se não fosse a confiança, teria sucumbido! É que a confiança que se aninhava em meu Coração sempre foi minha couraça para resistir a tantas provações, que o bom Deus se dignou enviar-me enquanto de passagem estava nesse exílio.
Confiando em Deus, o exílio torna-se suave. Eis por que chamando-vos para esta abençoada família, vestis a cor de meu manto. E por que será isso? Muitas de vós quem sabe ainda não o percebestes. É porque tendes a nobre e encantadora missão de propagar a Misericórdia e a confiança. A confiança é fruto da Misericórdia.
Vede, almas minhas, qual o significado da cor de vosso hábito: a confiança. Sim, cada vez que olhardes para vosso santo hábito, direis: esta cor me lembra que devo ser muito confiante em minha Mãe do Céu e em seu Divino Filho e que devo a todos levar pela via da confiança.
Vede que, falando-vos das fibras de meu manto feitas pela confiança ilimitada que eu sempre depositei em Deus, por amor, convido-vos a entrardes debaixo desse manto tão perfumado com esse aroma tão delicioso para Jesus, a confiança. Sim, Ele por amor vos há de obrigar a transitar esta via, na qual se conhecem os atributos de Deus, eternamente Misericordioso.
Amados meus, eis por que desejo ardentemente ver-vos todos debaixo deste manto protetor tecido pela confiança, que sempre tive em Deus.
Agora, desejo falar-vos mais alguma coisa, desejo que vós teçais um manto. Eu é que vou dar-vos as fibras, porém isso exige de vós um pouco de esforço e de boa vontade. Desejo que urdais um manto, fazendo, debaixo de meu, um pacto todo de amor. Vede que a mestra sou Eu mesma.
As fibras do manto que deveis urdir com todo o capricho são as de meu [manto]. Vede que deve ser consolador para vós saberdes que teceis um manto com as mesmas fibras do meu.
Como, direis vós, adquiriremos estas fibras? Já vos disse, vendo-me como vossa Mãe solícita pronta a socorrer-vos e a beneficiar-vos não com enfado, mas com muita alegria.
Amadas de meu Coração, como esposas que sois do Rei dos reis, deveis ter vosso manto de realeza e este deve ser por vós urdido no exercício de confiança, nesse noviciado todo de Misericórdia. Depois de o terdes bem confeccionado, eu mesma vou cobrir-vos com ele dizendo-vos: sois na verdade rainhas, podeis cobrir os pecadores, podeis agasalhá-los.
Oh! almas minhas, que sede tenho de ver-vos cobertas com este manto de verdadeira e inabalável confiança em vosso Esposo, que por amor me obriga a dar-vos essas lições todas de Misericórdia. Sim, é sua Infinita Misericórdia que deseja ver-vos revestidas com esse manto de realeza.
Alguma de vós, quem sabe, pode ficar um tanto assustada dizendo: eu não sei fazer o que minha Mãe me pede. Não vos assusteis, já vos disse, eu sou Mãe e uma Mãe faz tudo pelo filho que é um tanto tímido. Entregai-vos a meus braços, que Eu farei por vós o que não souberdes fazer; porém nada farei pelas que tiverem má vontade. Ah! Isso não, tudo faço pelos que põe sua boa vontade, em ação; porém pelos que, para se poupar de qualquer sacrifício, não põem mãos à obra, nada farei.
Portanto boa vontade e eu vossa Mãe carinhosa tudo farei em vosso favor, para ajudar-vos a confeccionar vosso manto de realeza.
A esperança
Amadas de meu Coração, continuemos a meditar meu manto azul.
Vamos agora ver as fibras feitas de esperança.
Falei-vos já da confiança, agora desejo falar-vos da esperança, que é fruto da confiança. Quem confia, certamente, espera.
Sim, Eu sempre esperei em Deus, meu Criador, e Ele jamais me enganou. Suas promessas são eternas e imutáveis. Ele sempre foi e há de ser o Deus bom, cuja caridade não tem fim. Convido-vos, portanto, amados de minha alma, a meditardes nestas palavras de Misericórdia para que, compreendendo-as, possais tecer vosso manto com estas fibras tão delicadas: a Esperança! Amadas filhas, esperar o que, direis vós? Esperar ver a Deus vosso Esposo, Esposo amantíssimo; esperar poder um dia ouvi-lo.
Ah! sua voz é tão encantadora e melodiosa! Não há melodia comparável à voz do Amado de vossa alma; esta voz enche o Céu de tanto gozo! Ah! Se neste mundo vos fosse dado ouvir sua doce voz tal qual ela é, alegremente daríeis mil vidas se vos fosse possível para ouvi-lo uma só vez. Ele fala a vosso coração; porém, de um modo velado que não vos permite perceber seus encantos, porque só no Céu vos é dado essa ventura.
Filhos de meu Coração, como é doce esperar o Paraíso, onde se acha o amado de vossas almas, sem véus, para vos cumular de favores e de mimos!
Sim, a esperança é um doce lenitivo para as horas difíceis da vida. Para quem não possui essa esperança como deve ser duro o exílio! Vede, o que me deu tanta força foi a esperança. Quando sozinha fiquei, sem o Filho querido, a esperança me transportava ao Paraíso, onde, em espírito, contemplava o Filho amado em minha espera para coroar-me como sua Mãe e Mãe que soube esperar, fazendo tal sacrifício por amor. Vede que a esperança é necessária para a vida da alma. Sem esperança a alma não resiste aos combates, que, muitas vezes, o demônio ou a carne lhe levanta.
Almas minhas, aproveitai de minhas palavras de Mãe solícita, que deseja tanto ver-vos perfeitas. Por isso vos convido por amor, a seguirdes meus exemplos e a aprenderdes neste noviciado de Misericórdia a serdes almas esperançosas nas promessas de Jesus e de vossa Mãe.
Almas boas, vosso manto deve ser, como já vos disse, tecido por vós com as fibras do meu, fibras de confiança e de esperança.
Como já vos disse, vos sois esposas do Rei dos reis e deveis, portanto envergar o manto de realeza. Que alegria dareis a meu Coração no dia em que vos vir com este manto real!
Amadas filhas, não é isso difícil porque eu, vossa Mãe, estou pronta em vos ajudar com amor e alegria.
Vós me direis como faremos para sermos almas cheias de santa esperança?
Ah! filhas amadas, esperar é tão suave, tão doce! Vede, quando esperais em alguma promessa boa que os homens vos fazem, como vos alegrais! Qual não deve ser vossa alegria esperar nas promessas do Esposo de vossas almas?!
Por piedade, jamais deixeis de esperar, de ter esta consoladora esperança: um dia estarei ao lado de meu Divinal Esposo e jamais daí sairei. Por toda a parte aonde Ele for eu estarei a seu lado. Não é isso consolador, amados meus? Direis vós: nós temos muitas imperfeições, não podemos ter essa esperança! Ah! Por piedade, vós que estais nesta escola de Misericórdia, onde vossa mestra é Maria, por piedade, não faleis assim, porque se assim falardes, dais-me uma triste prova que não tendes aproveitado de meus ensinamentos, todos de Misericórdia!
Amadas de meu Coração, apesar de serdes imperfeitas, eu vos pergunto: não desejais ardentemente ser perfeitas? Sim, pois se desejais, por que então não haveis de ter esta doce esperança que dá tanto alento, tanta força à alma que se acha na luta?
Sim, a esperança é necessária, eu vos digo por experiência própria, porque ela me alentou nos duros dias do exílio. Quantas vezes, com o coração amargurado pelas saudades do Filho amado, saí vitoriosa quando fiz uso da esperança. Levantando meu espírito ao Céu, reanimei-me e criei novas forças para continuar meu exílio doloroso, não forçadamente, mas por amor!
Amados meus, que bela é a esperança!
Que delicioso perfume dela se desprende! Fazei uso dela e vereis se o que vos falo não é uma realidade. Sim, a esperança dulcifica o exílio, dá à alma força e vigor, para alegremente prosseguir na subida do monte da perfeição.
Oh! almas minhas, dai-me almas esperançosas e eu vos darei almas generosas. Sim, porque quem possui a verdadeira esperança está sempre pronto a fazer qualquer sacrifício. Ah! Quem se negará a um sacrifício quando se lembrar que um dia se servirá de grande alegria?
Quem se negará a um sacrifício se tiver a esperança de com ele salvar uma alma?!
Vede como a esperança é necessária e como ela dá vida e vigor! Almas pias, a minha imitação, desejo-vos ver transbordantes de santa esperança no Esposo amantíssimo de vossas almas, que jamais enganou, nem pode enganar.
Esperai e sereis fortes, envergareis o manto de realeza que Eu envergo e abrigarei a tantos pobrezinhos debaixo de vosso manto.
Esperai e sereis as consoladoras do Senhor, que em vós pôs seus olhares complacentes! Esperai e sereis as mulheres fortes do Calvário! Esperai e sereis as minhas fiéis imitadoras! Eu muito esperei e não estou arrependida, ao contrário, minha alma está submersa em gozo por muito ter esperado em meu Deus, que tanto me ama.
Oh! esperança, como és bela, como és formosa, mostra tua beleza às minhas caras filhas, para que elas possam tecer seu manto real com tuas fibras tão delicadas!
Eu te bendigo esperança que, no exílio, tanto bem fizeste a minha alma.
E vós, amadas de meu Coração, sereis benditas se esperardes, como Eu, no Deus da Misericórdia, no Esposo, que por vós morreu no alto da Cruz, dizendo-vos: Eu vos amo e porque vos amo morro nesta dura Cruz.
Vossa terna Mãe, que deseja cobrir-vos com o manto real da confiança e da esperança, confeccionado por vossas mãos.

A minha túnica roxa
Quem sabe ainda não compreendeste bem o significado da minha túnica roxo-violeta?
Desejando que bem aproveites do significado destas cores pelas quais Me apresentei a ti, hoje vou explicar-te bem o que te devem lembrar quando aos meus pés vieres e Me fitares. Nas cores com que Me apresentei no Pombal, o roxo significa dor. Depois de terem golpeado barbaramente o corpo Santíssimo de Jesus, ficou todo arroxeado, o qual causava dor.
Meu coração de Mãe, vendo Jesus, o Divino Filho, em tão lastimoso estado, também ficou roxo de dor, e minha alma, dilacerada pela dor!
Portanto, amada Missionária, a minha túnica roxa deve-te lembrar o quanto Eu sofri e qual a causa de meus sofrimentos! Além disto, deves também te lembrar que a minha túnica roxa cor de violeta te diz o quanto amei a virtude alicerce de toda a santidade, a humildade. A humildade, alma Missionária, é a base de toda a santidade, e não se pode chegar à santidade sem se ser verdadeiramente humilde.
Aprendei de mim, que sou manso e humilde, disse o Divino Filho. Sim, sem a humildade debalde trabalhareis na importante obra de vossa santificação. Eis por que, ao Me apresentar no Pombal querido, dei esta cor à minha túnica. Sim, quando aos meus pés te apresentares, fitando minha túnica, lembra-te primeiramente que ela te diz o quanto Eu sofri e, na meditação de minhas angústias, ganharás um grande prêmio para tua alma, pois elas te darão força. Além disto, merecerás o privilégio que a elas foi concedido, que é o livramento das penas do purgatório.
Meditar no quanto Eu sofri por teu amor é um dever de gratidão. Qual é a filha extremosa que não se lembra dos sacrifícios que sua Mãe fez por si? Eu sendo Mãe tão solícita e tão amorosa para com todos os meus filhos, por amor tendes um dever sagrado de meditar no quanto Eu sofri em favor de vossas almas. E para não vos esquecerdes deste dever sagrado, apresentei-Me no querido Pombal vestida de roxo, e por toda a parte onde a Missionária for por amor, tem um sagrado dever de Me levar vestida como Me apresentei na casa-mãe. Portanto, Missionária, creio que compreendeste o significado de minha túnica roxa. Grava bem no teu coração estas lições, não as esqueças, porque elas são salutares à tua alma, dar-te-ão força e coragem neste exílio, para que um dia possas sair deste mundo nos meus braços de Mãe, a qual te introduzirá nos celeiros do Amado.
Ó morte feliz a da Missionária que souber neste exílio viver segundo o espírito do caro Pombal!
Feliz, mil vezes feliz a Missionária que souber aproveitar do quanto Eu tenho dado a este caro Pombal.

O meu véu branco
Missionária, mostrei-te o significado do meu manto azul e de minha túnica roxa; vou hoje contar-te o motivo por que Me apresentei no caro Pombal com véu branco, envolvendo-Me o peito e cobrindo-Me a cabeça.
Branco significa pureza, e, sendo Eu a branca açucena da Santíssima Trindade, não podia deixar de Me apresentar sem esta alvura que extasia o próprio Deus, pelo que os anjos Me chamam predileta açucena da Santíssima Trindade.
A pureza transforma o homem em anjo, e esta virtude é tão querida de Deus, de modo que a quem a pratica é dada a grande ventura de ver a Deus mesmo neste mundo, não com os olhos do corpo, mas com os olhos da fé.
Jesus chamou os puros de bem-aventurados; sim, na realidade eles são bem-aventurados neste mundo e no outro. Vede como Deus ama os corações puros. Por ser pura Me escolheu como Mãe, por ser puro escolheu a José como Pai adotivo, o qual teve a ventura de O afagar tantas vezes. Oh! quantas carícias, quantos amplexos José deu ao menino Deus! João, por ser puro, reclinou a cabeça no peito sagrado de Jesus!
Vê, alma Missionária, as prerrogativas dos puros! É lhes dado reclinar no peito agrado de Jesus!
Eu sendo esta bela açucena da Santíssima Trindade, quis assim Me apresentar ao Pombal querido: revestida com o véu branco da pureza, virtude amada de Deus, qualidade de Deus, porque em Deus tudo é puro. Sim, em Deus tudo é branco, Ele é o autor da brancura desta bela virtude.
Missionária, compreendeste bem a alvura de meu véu branco? O que te diz ele? Ele te diz que deves também ser uma branca açucena, a qual deve encantar o seu Esposo, para poder no seu peito reclinar.
Apresentei-Me ao Pombal não somente com a cabeça coberta de branco, mas, sim, também o peito. Que quer isto dizer? Quer isto dizer que no peito reside o coração, do qual nascem as paixões depravadas! Portanto, apresentando-Me com o peito envolvido em tal brancura, te digo que o teu coração deve estar sempre envolvido desta brancura celeste, que te dará a felicidade de seres a morada da Santíssima Trindade.
Vê, alma Missionária, como, ao te apresentares ante minha imagem, deves aproveitar das cores das quais a revesti, para sempre te lembrares de ser pura como os anjos e humilde como os santos.
Missionária, grava bem na tua alma estas lições. Não as esqueças mais, porque elas servir-te-ão de luz e força para poderes subir o Calvário e chegar à porta da Jerusalém celeste nos meus braços de Mãe, os quais serão sempre teus, se sempre fores branca como as açucenas, fazendo assim as delícias de teu amado Jesus neste mundo; pois, se assim fizeres, Eu te abençoarei eternamente!

A coroa de brancas pérolas
Mostrei-te como Me apresentei ao Pombal, conheces o significado de meu manto azul, de meu véu branco e de minha túnica roxa.
Vou neste momento explicar-te que nas minhas mãos trazia umas contas mais alvas do que a neve. Chamei-lhe Eu coroa de minhas Lágrimas Benditas.
Desejando, amada Missionária, que aproveites das lições destas brancas pérolas, vou explicar-te o seu significado.
Quando aos meus pés vieres, para receber força e Me fitar, vendo em minhas mãos esta coroa, lembra-te o que ela te diz: Misericórdia, amor e dor! Misericórdia, porque Eu sou a Mãe da divina misericórdia e choro ante o Filho os pecados de todos os homens. A meu Filho Me apresento, dizendo-lhe: meu Filho, tem compaixão deste filho; portanto, sou Mãe de misericórdia, pois esta coroa nas minhas mãos te deve lembrar que sempre estou intercedendo, diante do trono do Altíssimo, pelos pobres pecadores. Oh! Missionária, quando um pecador for rebelde, não querendo-te dar ouvidos, vem aos meus pés e pede pelas minhas Lágrimas Benditas. Se ele for alma de boa vontade, alcançarás de Deus a graça de esta alma não se perder.
Missionária, a minha Coroa das Lágrimas deve-te lembrar o meu grande amor pelos homens, portanto pela tua própria alma, porque Eu não chorei somente de dor de ver meu Filho em tão lastimoso estado, Eu também chorei de amor pelos homens, quando, endurecidos, não queriam ouvir o Divino Filho, pois assim, não lhe dando ouvidos, se precipitam no inferno.
Portanto, sendo Mãe de todos os homens e vendo muitos se perderem, chorei de amor, por isso que esta coroa nas minhas mãos te lembra que minhas lágrimas também foram derramadas por amor.
A lágrima é transbordamento de dor e de amor, por isso meu Coração, achando-se repleto de dor, transbordou em lágrimas! Eis, amada Missionária, o que te deve lembrar a coroa que vês nas minhas mãos. Por que lhe dei este nome de coroa? Porque minhas lágrimas foram coroadas por meu Divino Filho com tantos privilégios, os quais já tenho revelado ao Pombal; coroadas estão Minhas Lágrimas, porque elas são benditas e muitas gerações as exaltarão pelos benefícios que receberão por seu intermédio. Sim, o Divino Filho coroou-as com tantos privilégios, e como Jesus Me disse: Oh! Mãe, como ia deixar tuas lágrimas no esquecimento, sem lhes dar prerrogativas?
Ah! não, não podia deixar na escuridão do esquecimento lágrimas tão benditas, por isso vou ao Pombal querido dar estas pérolas preciosas e que farão parte de seu patrimônio.
Assim falou-Me o Divino Filho; vê, portanto, Missionária, o que te deve lembrar a branca coroa de minhas benditas lágrimas. O que elas te dizem a ti, alma Missionária? Dizem-te que tua Mãe te ama, que tua Mãe por ti chorou e que as suas prerrogativas te pertencem, desde que a elas recorras com confiança e amor e depois saibas agradecer tão rico tesouro.
Vê, alma Missionária, como és feliz, aproveita estas lições e jamais sairás de meus pés sem ter meditado no significado de tua Mãe, Nossa Senhora das Lágrimas. Bem, Eu com todo o amor digo: sou a Mãe das Missionárias.

O sorriso de Nossa Senhora das Lágrimas
Quando Maria desceu ao Pombal querido, trazia em seus lábios um doce sorriso, imagem esta da imensa alegria de poder beneficiar aos homens com tão precioso tesouro!
Esse sorriso é também a imagem do contentamento que as almas experimentarão ao rezar tão consoladora Coroa. O sorriso é sempre o transbordamento de alegria e paz, por isso Maria, descendo ao Pombal querido, quis trazer em seus lábios, não só o que ia na alma, por poder entregar a seus filhos tão rico tesouro; mas, também, primeiro, quis ela fazer o que tantas almas experimentarão ao rezar tão comoventes súplicas.
Oh! Sim, Maria, beneficiando seus filhos, sorri; eis por que sua bendita imagem deve trazer um doce sorriso, que será o bálsamo às chagas da pobre humanidade.
Entrego-te, no dia de hoje, este sorriso bendito de nossa grande Mãe Lacrimosa.
Mas como?! Maria Lacrimosa com sorriso?! Sim, lacrimosa porque em suas mãos entrega o que um dia chorou de dor e de amor, mas que, feliz e sorrindo, entrega como frutos dessas duas causas sublimes, a dor e o amor, origem de tantas lágrimas. Recebe, portanto, o sorriso de Maria como patrimônio da Amada Geração, e com este patrimônio os frutos de nosso zelo embriagarão as almas, dando-lhes o gosto por sua perfeição, o que para elas é uma necessidade. Sem esse embriagamento no desejo da própria santificação, a alma não alcançará a perfeição.
O sorriso de Maria constituirá para nossa geração mais uma rede, que apanhará as almas que desejarem a santidade. Recebe, portanto, em tuas mãos para nossa geração o sorriso de Maria, que é mais doce que o próprio mel, mais embriagador que os mais requintados narcóticos! Sim, é ele um narcótico que fascinará milhares e milhares de almas! Oh! doce sorriso de Maria, és também meu narcótico que me deixas embriagado de amor por Ti!
Oh! doce Mãe de meu Coração!
Recebei, filhas, os sorrisos de Maria, que esses sorrisos sejam em vossos lábios uma realidade, para que, a imitação de Maria, possais mostrar aos homens que vos sentis felizes em poderdes trabalhar por amor de suas almas.
Isso é para nossos frutos, e quando tal fizerem, quando o sorriso neles for uma realidade como o foi nos lábios de Maria, as almas com quem trabalharem; isto é, pelos quais nossos filhos se interessarem, ficarão seduzidas, porque o sorriso de Maria a todos seduz!
Oh! quando meus discípulos se aproximavam de Maria, e ela lhes sorria docemente, suas penas desapareciam e os trabalhos mais penosos tornavam-se leves!
Que esse presente de imenso valor seja aproveitado, e que o sorriso de nossa Mãe Lacrimosa não seja esquecido por nossa Geração.
Teu doce Jesus, que hoje lhe entrega mais essa rica dádiva e joia riquíssima na salva de minhas satisfações.

Os meus olhos inclinados
Vou hoje explicar-te qual o motivo porque aqui me apresentei ao Pombal amado com meus olhos inclinados. Pintores inspirados me gravaram nas telas, volvendo meus olhares para o alto, quando me desejaram cantar as glórias de minha Imaculada Conceição.
As glórias de minha Imaculada Conceição pertencem ao Altíssimo que, gratuitamente, favoreceu-me com tão gloriosas prerrogativas, portanto, volvendo meus olhares para o alto, significam cântico de Ação de Graças, que todos os dias dou a meu Deus por ter-me enriquecido com tal privilégio.
O que significa, porém, meus olhares inclinados [para baixo] na aparição em que vos entreguei minhas Lágrimas Benditas?
Esses olhares significam minha compaixão sobre a humanidade, trazendo nas mãos o tesouro de minhas Lágrimas! Inclinei-me sobre a humanidade, para todos poderem contemplar a minha imagem, que por meus olhos inclinados, lhes dirá que sempre Eu desci do Céu para trazer-lhe um lenitivo a seus males; pois, meus olhos constantemente estão voltados para suas penas e aflições, uma vez que saibam pedir a meu Filho pelas Lágrimas que derramei.
Quando o rico dá a esmola ao pobre e, ao mesmo tempo, lança-lhe um olhar de compaixão e de carinho, este se retira confortado em sua dor moral. Oh! Eu também sou a rica dos favores celestiais, os pobres são os pecadores e os que querem a perfeição; portanto, quando estes chegam aos pés de minha imagem, veem que os fito com olhares de compaixão e de carinho.
Se os escultores pudessem esculpir este olhar, seriam eles os primeiros a morrer de amor. O homem não é capaz de traduzir a compaixão e a suavidade de meu olhar; podem, porém, imitá-lo, ainda que de longe, para que os homens, aproximando-se de minha imagem, tenham uma pálida ideia da realidade de minha maternal solicitude.
Quanto vale o olhar carinhoso e solícito de uma Mãe sobre seus filhos! Esses olhares representam carinho, abnegação e solicitude. Olhando é que se veem os erros dos Filhos; olhando se lhes pode mostrar o amor e a afeição, porque o olhar é o transmissor das alegrias e das tristezas. O olhar de uma mãe sobre seus filhos representa o farol, que conduz à pátria amada. E se essa mãe os olha com os olhos da alma, e de uma alma pura, é ela norteada pelo amor divino.
Por isso meus olhos inclinados, quando entreguei minha Coroa, são o farol de meus filhos e todos os que quiserem honrar-me em minhas Lágrimas. Sim, onde se rezar a Coroa de minhas Lágrimas, aí estarão meus olhos, como a lhes apontar o Céu, a pátria querida.
Onde se recitar com amor essas invocações de minha Coroa, aí estarei como Mãe solícita, a lhes apontar os erros, e os convidar à virtude, a lhes mostrar o Coração de meu Filho amado.
Sim, onde reinar minha imagem, onde for introduzida essa imagem querida, que tem tão alto significado, meus olhares cobri-los-ão de graças e de alto preço, dando-lhe já nesta vida a experimentar minha proteção consoladora.
Vê, como na aparição, em que trazia meu tesouro tudo tem significado.
A inclinação de meus olhos representa bem minha compaixão pelos filhos do exílio, que constantemente os contemplo e os convido a virem a mim dizendo-lhes: vinde buscar as minhas Lágrimas, porque elas saciar-vos-ão a sede e a fome, perfumando-vos e predispondo-vos para receberdes as mercês de Jesus Crucificado.
Sim, meus olhos inclinados são o chamar constante de meus filhos a meu regaço. São esses olhares a suavíssima harpa que convida, que fascina os pecadores e os converte para o Coração de Jesus Crucificado.
Aí, tens a explicação porque nesta aparição inclinei meus olhos sobre a humanidade, que desejo que se converta, que se salve, atraída por meus olhares, que são de Mãe complacente: doce e cheia de Misericórdia, que deseja ardentemente agasalhar-vos debaixo de meu manto azul.
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Imagem de Nossa Senhora das Lágrimas e Jesus Manietado









